Todas as discussões são
Ridículas.
Não seriam discussões se não fossem
Ridículas.
As discussões, se há razões,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca discutiram
É que são
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas discussões
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
terça-feira, maio 24, 2011
quinta-feira, maio 19, 2011
santa hipocrisia
passo o pleonasmo, porque na verdade toda a hipocrisia é santa. intocável e venerada pela estupidez que a consente.
pessoas que acreditam muito puramente na inviolabilidade de todo e qualquer valor, oferecido, emprestado ou inventado. alimentam a alma de absolutos. e vivem felizes num mundo que só tolera o egocentrismo de quem o sabe pensar.
sexta-feira, maio 13, 2011
osmose com reforço posterior
há decisões não fáceis. (quer eu queira quer não queira). os dilemas surgem quando a escolha é entre duas coisas boas, ou mais frequentemente, entre duas coisas menos boas. só a olhos distantes é que a incerteza se dissolve preto no branco. concentrados de certezas e tristezas vs alegrias, frustração vs satisfação. na vida real e presente, é tudo mais cinzento. mesmo quando tudo corre bem, raramente deixa de ser cinzento.
ao contrário da medicina, na vida não há meios auxiliares de diagnóstico. mas há doenças, e há curas. só não se perde tempo nem dinheiro à espera de medir o não medível. parece que ainda não há TC's para a dor. a esperança não tem ecos nem reforço posterior. e muitas vezes a depressão vem acompanhada por cone de sombra.
há quem acredite que o altruísmo só pode ser egoísta. um egoísmo feliz é já um altruísmo concreto.
quer eu queira, quer não queira, a alegria como a dor penetram as vidas por osmose. inevitável.
quer eu queira, quer não queira, mas posso (sempre!) querer.
sábado, abril 30, 2011
boneca de trapos (o sonho)
frágil e de trapos. pela mão, uma e outra vez.
mais uma vez,
hoje ainda não, hoje ainda quero sonhar mais um pouco
sem razão, os sonhos mais perfeitos. pois a razão dilui a perfeição das coisas sonhadas.
a razão concentra a realidade do que vale a pena.
(mas os sonhos não valem a pena)
hoje ainda não. hoje preciso de sonhar mais um pouco.
como quem dorme a lógica das vidas e acorda mais leve.
mais leve por não saber que há quem não possa sonhar. quem escolha viver os trapos em toda uma vida.
apagou a luz mas continuou a sorrir. e no fim de todos os sonhos, adormeceu o corpo frágil.
apagou a luz mas continuou a viver. a história inútil do amor.
mais uma vez,
hoje ainda não, hoje ainda quero sonhar mais um pouco
sem razão, os sonhos mais perfeitos. pois a razão dilui a perfeição das coisas sonhadas.
a razão concentra a realidade do que vale a pena.
(mas os sonhos não valem a pena)
hoje ainda não. hoje preciso de sonhar mais um pouco.
como quem dorme a lógica das vidas e acorda mais leve.
mais leve por não saber que há quem não possa sonhar. quem escolha viver os trapos em toda uma vida.
apagou a luz mas continuou a sorrir. e no fim de todos os sonhos, adormeceu o corpo frágil.
apagou a luz mas continuou a viver. a história inútil do amor.
domingo, abril 10, 2011
plasmaferese de domingo à tarde
ou a constatação da mentira vendida pelo tempo de boca-em-boca. Daquelas mentiras que incham a alma com a certeza de que tudo vale a pena.
É que mesmo quando a alma é maior do que tudo, nem sempre é a conversar que a gente se entende. Se assim fosse, o silêncio não passava de uma inutilidade barata, destituida de sentido, manifestando a desvontade da compreensão e empatia.
Mas não é verdade, porque as palavras são apenas uma reduzida parcela da comunicação.
Há muita coisa que não se ouve e faz barulho. E não se chama silêncio.
É que mesmo quando a alma é maior do que tudo, nem sempre é a conversar que a gente se entende. Se assim fosse, o silêncio não passava de uma inutilidade barata, destituida de sentido, manifestando a desvontade da compreensão e empatia.
Mas não é verdade, porque as palavras são apenas uma reduzida parcela da comunicação.
Há muita coisa que não se ouve e faz barulho. E não se chama silêncio.
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